sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Resenha sobre o Livro Ensaio sobre a cegueira (1995) de José Saramago elaborado pela aluna Eliane da Silva Leite de Serviço Social

Ensaio sobre a Cegueira

José Saramago foi um escritor, argumentista,dramaturgo, contista, romancista e poeta português. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prêmio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Dele, a Companhia das letras publicou, entre outros, História do Cerco de Lisboa, 1989, O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a cegueira (1995). Sobre o último serão feitas algumas considerações.
Saramago, em seu livro Ensaio sobre a cegueira, trata do juízo de valores e a impotência do ser humano e seu comportamento, quando se trata de sobrevivência.  A crítica do autor é a falta de solidariedade, a desigualdade, preconceito e a capacidade que nós perdemos de sermos benevolentes nos tornando cegos diante de uma sociedade individualista e capitalista.
O livro começa com um homem que fica cego repentinamente de uma estranha cegueira branca, que afeta rapidamente a população. A cegueira se alastra da mesma forma que o medo e o caos.
Essas pessoas são isoladas em um manicômio em quarentena, todos estão cegos exceto uma mulher. Essas pessoas precisam conviver de forma diferente com novas regras, e muitas barreiras tudo ali é um desafio.
 Quando se é cego se dá valor ao que realmente tem valor, havendo uma transformação de valores mostrando que quando se é cego muitas coisas deixam de ser importante como o modo se vestir, posição social, pobre ou rico se é o porteiro, médico perante o mar de leite todos somos iguais.
Presos no manicômio deparam – se com o medo, fome, humilhação, violência e opressão lutando para sobreviver. Trava-se uma guerra entre seres humanos para que não se tornem animais, a partir desse momento se arranca de forma violenta a dignidade dessas pessoas que são obrigadas a usar o corpo como moeda de troca por comida para sobreviver. Impostos a essa realidade vimos o melhor e o pior do ser humano e fica claro a incapacidade, a impotência, abandono e ganância ,assim como o afeto,solidariedade, união, igualdade.
Os personagens não têm nomes, são apresentados como o primeiro cego, a mulher do médico, "o homem da venda preta", "o cego com a arma”, passamos a conhecer cada um pelos sentimentos e ações que através da leitura vivenciamos juntos.
A única pessoa que ali enxerga é a mulher do médico que talvez pelo fato de ajudar á todos e se preocupar mais com os outros que consigo mesma tenha sido poupada por sua bondade. Mas para ela isso não era uma benção como fica claro aqui “Num mundo de cegos, não sou a rainha, não, sou simplesmente a que nasceu para ver o horror, vocês sentem-no, eu sinto-o e vejo” (pg262). Se “tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego” (p. 135). . Mas ironicamente ela cega quando todos voltam a enxergar.
Ensaio sobre a cegueira é um livro que nos faz pensar, ao que de fato tem valor em nossa vida, a ter um olhar para outro ao invés de nos preocupar somente com nosso próprio umbigo.
 Fazendo-nos “enxergar” o preconceito que nos cega. Sendo uma leitura agradável emocionante, cheia de surpresas até a última linha. É um convite aos amantes da boa leitura e a reflexão dos valores presentes em nós, fazendo uso das palavras dele “dentro de nós a uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”.
Resenha                                                     
Eliane da Silva leite


Referência

Saramago,José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo : Companhia das Letras, 1995.









                                                                                     




















































































































































































































































































































































Nenhum comentário:

Postar um comentário